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29 abril 2015

Lápis de Cor

Na verdade é assim que um daltônico enxerga uma caixa de lápis de cor, nesse caso o daltônico para verde/vermelho:


08 abril 2015

Comos os Daltônicos enxergam os Power Rangers

Muito legal essa imagem 


07 abril 2015

Identificando uma Criança Daltônica

Já contei minha história algumas vezes, de como descobri que era daltônico, só no segundo grau, após enfrentar todo tipo de professores de artes, nenhum deles com um pingo de bom senso para identificar uma criança com dificuldade para identificar cores. Uma criança que pintava troncos de árvores de vermelho e que via um céu roxo, folhagens laranjadas e um arco íris de três cores.
A primeira coisa que você deve saber sobre daltonismo é que ele afeta principalmente homens:
Por conta do cromossomo x, que o homem possui apenas um, enquanto o outro é y, as mulheres possuem dois x (xx). Num resumo simples, para um homem ser daltônico basta que seu cromossomo x possua o gene recessivo, assim ele será daltônico, para as mulheres é bem mais difícil, muitas vezes ele é portadora do daltonismo, mas não manifesta. 
Outra coisa sobre daltonismo são os diferentes graus, e é difícil saber se uma criança é ou não daltônica e qual seu grau de daltonismo, quais cores ela possui dificuldade em identificar. 
Na escola começamos a aprender as cores, aí começam as dificuldades, eu mesmo achava que havia aprendido as cores errado, que era um problema de aprendizagem e não que era algo genético. 
Você pode começar fazendo perguntas ao seu filho sobre cores de determinados objetos ou partir diretamente para o teste de Ishihara, você irá encontrar vários deles pela internet, aqui no meu blog inclusive. Caso seu filho apresente dificuldades em identificar os números no teste, é melhor consultar um oftalmologista e ter uma análise de um profissional sobre isso. 
É importante descobrir o daltonismo em crianças o quanto antes, pois isso pode afetar sua aprendizagem, eu mesmo não conseguia ler as legendas em mapas ou gráficos, sempre tive dificuldades nas aulas de artes e passei por situações constrangedoras por não identificar algumas cores, para uma criança isso pode ser traumático. 
Acredito que ao descobrir que seu filho é daltônico o primeiro passo é conversar com seus professores e explicar a situação, para que os professores consigam adaptar as tarefas, algo que aconteceu comigo na graduação, minha professora de química fazia as titulações para mim, pois eu não conseguia verificar quando a solução mudava de cor com o reagente, isso facilitou e muito minha vida acadêmica.


06 abril 2015

Extensão para Chrome facilita visualização de sites por daltônicos

Sempre achei difícil abrir sites em que ninguém imagina que um daltônico abra, um exemplo é o próprio g1, que divide matérias em verde/vermelho, confundindo os daltônicos, na verdade só descobri essa divisão após uma amiga comentar, jamais teria notado. Pois bem, um brasileiro, chamado Leonardo Cardoso, desenvolveu uma extensão gratuita para o navegador Crhome, chamada Colorblinding. Testei essa extensão nesse fim de semana e realmente notei a diferença de navegação, engraçado que a primeira coisa que quis fazer foi uma busca por imagem do arco íris. Você pode baixar a extensão aqui. Após instalar você clica aqui:

Seleciona Colorblinding e aparecerá essa tela:

Seleciona seu tipo de daltonismo e comece a navegar pelos sites, muito simples.Caso você ainda não saiba qual seu tipo de daltonismo, sugiro fazer um teste dentro do site da EnCrhoma, um dos testes mais completos que conheço, clique aqui e vá direto a página.

30 março 2015

Genética e Daltonismo


Há alguns anos, mais precisamente em 2009, alguns pesquisadores publicaram um artigo na revista "Nature":

Gene therapy for red–green colour blindness in adult primates

 

Um resumo do artigo:

Uma das possíveis estratégias para eliminar o daltonismo envolve a inserção de novas células sem a mutação. Isto é possível graças à terapia genética, uma abordagem que permite corrigir o problema genético através da inserção de uma cópia funcional do gene. Os cientistas foram capazes de corrigir o problema em macacos. Foram selecionados dois macacos, que ganharam os nomes de Dalton (uma homenagem ao descobridor do daltonismo) e Sam. Esses macacos não foram escolhidos por acaso, eles pertecem a espécie Saimiri sciureus, que possuem uma condição similar que afeta todos os machos da espécie, que naturalmente enxergam o mundo em dois tons.
O estudo foi possível por meio da introdução da forma humana do gene opsina, que detecta vermelho, em um vetor viral e o vírus foi injetado atrás da retina de dois macacos. Após isso os pesquisadores avaliaram a capacidade dos macacos de encontrar pontos coloridos em um fundo cinza. Após 20 semanas a habilidade dos macacos de distinguir cores melhorou muito, indicando que os macacos haviam adquirido a capacidade de ver três tons. Um video do macaco passando pelo teste e recebendo recompensa, retirado da revista Nature:


E aqui o Dalton e Sam:



Após isso tudo, nesse mês, graças a um acordo entre a Universidade de Washington e a Avalanche Biotechnologies, começou um desenvolvimento da primeira terapia para o tratamento de daltonismo em humanos. Quando os testes em macacos foram realizados, foi feito uma cirurgia de risco sobre suas retinas, o que tornava tudo muito perigoso para seres humanos, era muito arriscado.

Para superar esse problema os cientistas americanos estão desenvolvendo uma técnica alternativa para chegar a corrigir a mutação. A abordagem consiste em criar um gene molecular contendo um líquido específico que será injetado diretamente no humor vítreo, uma substância gelatinosa que "preenche" e forma o olho. Com o acordo realizado o planejamento para iniciar os primeiros testes em seres humanos será dentro de dois anos.


Também foi criado um site para quem quiser saber em primeira mão as novidades da pesquisa e outras informações importantes.
Fico com a frase de um dos pesquisadores do projeto, Jay Neitz:
"A grande questão é que pessoas daltônicas têm uma ótima visão. Por isso, antes de as pessoas desejarem tratar seu daltonismo, é necessário assegurar que seja completamente seguro, e isso dará algum trabalho."

02 abril 2014

Óculos para daltônicos


Ano passado li no blog do David Pogue, do New York Times, um artigo sobre um óculos produzido pela empresa EnChroma . O jornalista usou esse óculos e fez uma breve resenha sobre o assunto.
Pelo que li parece muito interessante, o jornalista ficou maravilhado com vários tons que nunca havia notado e, principalmente, quando viu o arco íris. Um dos maiores problemas é não poder usá-los dentro de casa, ou no trabalho, pois são óculos de sol e dependem da quantidade de luz no ambiente. Outro problema era o preço, na época 600 dólares, hoje já custa cerca de 380 dólares, acrescente a isso o custo de transporte até o Brasil.
Não tenho interesse, no momento, em comprar esses óculos, mas caso você queira, é bem simples, você faz um teste primeiro, para avaliar seu daltonismo, dentro do próprio site da empresa, pode ser também através do aplicativo de celular, que você encontra fácil no site da EnChroma. Após o teste a empresa dá a opção de óculos para você, tem em alguns modelos, de acordo com seu estilo. Achei interessante, no futuro pretendo comprar e testar, outro detalhe é que a empresa dá uma garantia de reembolso de 30 dias, caso você não fique satisfeito.
O legal é ler os testemunhos de quem usou os óculos: são muito bons, acho que todos os daltônicos vão se sentir sensibilizados pelos testemunhos.

  

22 setembro 2012

Daltonismo

A piada que não entendi
Um texto que complementa essa tira: O Camaleão Daltônico



27 junho 2011

Links

Apenas para dividir um link com um texto muito interessante sobre daltonismo:


E aqui um pequeno video que exemplifica um pouco a questão do daltonismo.

12 junho 2011

Verdes

Na última quinta-feira estava ajudando na organização de um evento no trabalho e lá também estavam várias crianças participando da semana do meio ambiente, criando objetos com materiais reciclados, isso é um clássico da semana do meio ambiente.

Depois de um tempo as crianças descobriram que eu era daltônico, pronto, ficaram no meu pé por muito tempo. Descobri que é universal, ao descobrir um daltônico até as crianças começam a perguntar a cor de todas as coisas ao redor. Outra coisa interessante foi explicar o que é o daltonismo para crianças que até aquele momento não sabiam que existem pessoas que enxergam determinadas cores e não conseguem ver outras.

As crianças queriam que eu falasse a cor de tudo que tinha por perto, traziam lápis de cor para saber o que eu via ali. As crianças têm uma noção incrível desse mundo, fazem perguntas com as quais você não conta, movidas por uma curiosidade, uma vontade de compreender o funcionamento de tudo.

Não estava esperando perguntas tão complexas sobre daltonismo. Um menino soltou a clássica: “Como posso saber se o verde que eu vejo é o mesmo que minha professora vê?” Esse tipo de pergunta não era o que estava esperando, é profundo demais, está mais para a área da reflexão. É o tipo de coisa que só conseguiremos saber quando pudermos olhar o mundo, mesmo que por instantes, com os olhos de outra pessoa.

A parte engraçada foi quando uma menina concordou em uma cor comigo, algo que era roxo e falamos que era azul. Pronto, depois de todos concordarem que era azul, só disse para a menina que ela também era daltônica. Ela, por um instante, não sabia se ficava triste ou alegre.

26 abril 2011

E o Mario?

No último fim de semana descobri algo incrível, digno de quando soube que a fanta laranja não era amarela, era laranja. No jogo do supermario no Super Nintendo haviam dois tipos de cogumelos, um era uma vida e o outro era para crescimento. Não sabia que eles tinham cores diferentes, achava que eram semelhantes. A surpresa foi descobrir que existe uma diferença de cores entre esses cogumelos, há o verde para vida e o vermelho para crescimento. Toda a infância jogando Mario para nada, sempre achei que haviam lugares com cogumelos com vida, não que eles tinham cores diferentes, acho que isso das cores tem muito sentido, pois haviam algumas fases que era necessário ir com o Mario pequeno. Super Mario é muito Alice, com seus cogumelos, suas inserções no subterrâneo e seus inimigos bizarros. Espero por uma versão de Mario para daltônicos.
P.S. Um amigo acaba de dizer que também existiam tartarugas de casco verde e de casco vermelho. Agora sim, acho que perdi muito do sentido de supermario.
(Essa imagem é de algum dos cafundós do google)

24 outubro 2010

Como vê

O pior de ser daltônico é ter de explicar para todos como você vê, como nesse video. Nem sempre é engraçado.

27 junho 2010

Detran

Nessa semana farei o teste de visão para tirar carteira de habilitação. Há um fator importante, daltônicos não passam nesses exames (não deveriam). Aparentemente é de grande importância saber diferenciar verde, vermelho e amarelo. Conversei na auto escola e, pelo que falaram para mim, não terei problemas com o teste.
Há um projeto em andamento na câmara, a finalidade dele é auxiliar daltônicos no trânsito, associando as cores a símbolos nos semáforos. Recebi um email ou uma mensagem sobre esse assunto, você pode ajudar assinando o projeto de lei aqui: http://www.daltonicosnotransito.com.br/
Todas as informações estão nesse site, é possível acompanhar o andamento do projeto na câmara.

09 maio 2010

Daltônicos

Recebi o link desse comercial através do twitter, achei muito engraçado, os daltônicos com certeza irão se identificar:
Preciso escrever sobre os emails que recebi por conta desse blog nos últimos dias. Não tem acontecido nada de engraçado nessas semanas por conta do daltonismo, um ou outro problema na hora de comprar ingressos para cinema com lugar marcado, algum professor com slides tirados de viagens lisérgicas etc. A vida continua a mesma e não sei a cor do lugar marcado.

04 outubro 2009

Não peçam para um daltônico

Que ele compre roupas coloridas.
Que ele jogue futebol com uniforme verde contra outro time de uniforme vermelho.
Que ele desative bombas.
Que ele aperte o botão verde.
Que ele encontre o maldito bloco bege.
Que ele adivinhe a cor da camiseta da criatura mais próxima.
Que ele identifique os tipos de solo: O, A, B, C.
Que ele interprete gráficos coloridos.
Que ele desenhe um mundo em cores que ele não vê.

28 agosto 2009

Comerciais daltônicos

Depois do cartaz da Sprite, agora vou postar alguns comerciais que envolvem o daltonismo. Esse post é de uma conversa com minha nova amiga por e-mail:
Comercial do Golf:
Comercial do canal TyC Sports:
Convenhamos que ambos são bem mais criativos que o da Sprite.

22 agosto 2009

Sprite e os daltônicos

Trocaram a cor da Sprite e ainda fazem graça com os daltônicos. Queria dizer que nosso daltonismo não é o verde/azul, esse nem existe. Qual é a graça de uma garrafa azul? Parece algum tipo de detergente.

17 agosto 2009

O Daltônico e o Tênis Azul

Cachorros alaranjados, oceanos roxos, o riso maldoso e o tênis a desintegrar na chuva
Sou daltônico (e míope). A profusão de cores do mundo me açoita a cara a cada instante e sempre me atira - feito um passarinho atingido no peito pelo bodoque do piá assassino - às lembranças da infância. Ser daltônico aqui em C. é pintar cores em preto-e-branco. Quando criança, a palavra "idiota" me acompanhou durante bom tempo. O riso da maldade infantil me mostrava que algo andava manco em minhas inusitadas tentativas de colorir o mundo: meus mapas de geografia, uma piada multiforme e repleta de pontinhos multicoloridos - pintava os arredores de todas as cores possíveis, sem nunca saber em que território desconhecido pisava. Minhas pegadas eram bambas diante do sarcasmo: coloria árvores de vermelho, céus de verde, mares de roxo, cachorros de alaranjado. Sinto certa saudade daqueles trabalhos escolares em que a vida era-me muito mais divertida, apesar do labirinto colorido que sempre percorria.

Quando chegamos a C., espremidos na cabine de um caminhão que nos trouxera de uma terra que nos cuspia a todos sem nenhuma dó, vi a neblina a pairar sobre a manhã de descobertas. Tinha seis anos. Para mim, C. seria sempre cinza, borrada pela neblina da infância. Aqui, descobri que a cidade, cujo útero seco nos abrigaria pela vida toda, tem poucas cores possíveis. Lugar ideal para um daltônico passar invisível.

Só descobri que era daltônico na adolescência. Pela mão de uma namorada, parei diante do oftalmologista e uma infinidade de plaquinhas com dezenas de pontinhos coloridos. O inferno do daltônico deve se parecer muito com estes milhares de pontinhos, pendurados num arco-íris. Aos meus olhos, nada sobressaía naquelas malditas plaquinhas. "Você tem de ver um número, uma letra", dizia-me o médico. "Tenho de ver", eu pensava, com certo nervosismo. "Tenho de ver, tenho de ver, tenho de ver." Maldição. Não via absolutamente nada. Apenas dezenas, centenas, milhares, milhões de pontinhos dançando, copulando, se reproduzindo diante dos meus olhos. Ouvia o risinho dos meus amigos de escola. Uma algaravia sem-fim de cores e vozes. "É, você é bem daltônico", disse-me o médico de branco, após muitas tentativas naquela sucessão de placas. Certo alívio percorreu meu corpo. Além de idiota, eu era daltônico.

Quando recebi a carteira de motorista, não consegui reprimir o riso, que se transformou numa sonora e sarcástica gargalhada. O funcionário do Detran, com a burocracia a percorrer-lhe o corpo, assustou-se diante do louco que em breve cortaria as ruas de C. ao volante. Com certeza, naquele momento, Simão Bacamarte me trancafiaria para sempre na Casa Verde. Já era "velho", beirando os 30 anos, quando empurrado por outra namorada (mulheres, sempre elas) parei (apavorado, é claro) diante da médica para o "exame de vista". Uma pequena caixa escura me aguardava. Enfiei os olhos na escuridão. Tinha certeza de que ela me engoliria para nunca mais voltar a C. e seus arames em forma de arquitetura. "Que cor você vê?", perguntou-me a médica. Não via cor alguma. Ou via. Sei lá. Era um vaga-lume a piscar na imensidão escura. De que cor é a luz do vaga-lume? Errei todas. Derrotado pelas cores, poderia fazer o teste mais uma vez. Nova tentativa. Disse à outra médica, mais simpática: "Se eu me concentrar bastante, consigo acertar as cores. O seu crachá, por exemplo, é verde". Ela sorriu diante da "brincadeira". O crachá era vermelho. Concentrei-me ao máximo e acertei alguns dos vaga-lumes que me desnorteavam na caixa escura. Sim, daltônicos podem dirigir.

Dr. Arthur é jovem e bem-disposto para falar sobre daltonismo. Explica-me que somos uma "evolução" humana. Não consigo esconder o riso irônico. Muita conversa e descubro que nós, os daltônicos, além de confundirmos verde, vermelho, azul, amarelo, laranja, marrom, creme... e o restante de todas as cores que habitam o mundo (com exagero, é claro), à noite enxergamos melhor que todos os demais seres normais. Eu enxergo melhor à noite que um não-daltônico. Seria uma maravilha, caso eu também não fosse míope. Mas os daltônicos notívagos conseguem ver com mais precisão os contornos dos objetos na penumbra. É por isso, explica-me Dr. Arthur, que a linha de frente do exército norte-americano, em missões noturnas, é formada por daltônicos. Além da idiotia diante das cores, somos os primeiros a morrer. (Será que no momento derradeiro, na escuridão, conseguiremos vislumbrar com mais exatidão o rosto da morte?)

Refaço o teste de daltonismo. Agora, já tem um nome: teste de Ishihara. Tudo igual ao da adolescência. Plaquinhas, milhares de pontinhos, o riso dos amigos a martelar as lembranças, erros, números ilegíveis, semáforos apagados, uma nesga de esperança de que agora na vida adulta, beirando os 40 anos, tudo será diferente. "Você é o pior que já passou por aqui", disse a auxiliar do Dr. Arthur. "Não fique triste", completou. Pior? Não. Melhor. Sou o melhor daltônico que conheço. Nunca fico triste diante da minha incapacidade cromática. Pelo contrário. Nada melhor do que mentir a um não-daltônico. Aumento meu daltonismo sempre que me fazem a inevitável pergunta: "que cor é esta?" Erro de propósito. No entanto, muitas vezes, erro tentando acertar, e acerto tentando errar. Muitos duvidam do meu daltonismo. Não sabem que, além de daltônico (e míope), sou mentiroso.

Carrego no colo minha pequena filha até o carro. Ela veste uniforme escolar azul, branco e amarelo. Aponto-lhe um arco-íris atrás de um pinheiro. "Lá", digo-lhe. "Onde, papai?", pergunta-me mais de três vezes. Desisto de mostrar-lhe um arco-íris que talvez só exista para mim.

A rua Riachuelo, no centro de C., abriga as putas da minha vida. Elas, sozinhas ou em pequenos bandos, encostadas nas paredes cinza, exibem pernas roliças de crateras sufocadas em minissaias. As putas da Riachuelo têm a pele lunar. Algumas são esqueléticas; outras, adiposas. Nunca as esqueço. Desde menino, habitam o meu imaginário. Nunca as visitei. Por respeito e muito pavor. Antes de entrar na loja, admiro-as. Tenho entre 10 e 13 anos. Não mais que isso. Dinheiro no bolso após horas a plantar azaléias ou colher trigo na chácara-morada, entro na loja em cuja vitrine brilha um lindo tênis azul (sim, nós daltônicos gostamos de azul, mesmo quando este azul só existe para nós; à nossa maneira). Em breve, estará em meus pés rumo à casa do avô Sílvio, o homem de olhos azuis e mãos imensas que um dia deixou o corpo abandonar-se no vazio, na infinita distância entre seus pés e a terra que cultivara.

No ônibus de volta à terra que nos cuspira na infância, calço orgulhoso o tênis azul. "Será que tem rio na nova casa do avô?" A pergunta nos impulsiona rumo ao mundo que não mais nos pertence. C. e seus ruídos nos aprisionaram para sempre. Somos quatro: eu, meu irmão, minha irmã e a mãe. O pai nunca nos acompanhava. Sempre preferiu a distância e o silêncio. Da estrada, após duas trocas de ônibus, a casa do avô era um pontinho (outro) ainda longínquo. Teríamos de percorrer uma grande distância a pé. Na vidraça do ônibus, a chuva lambuzava nossa visão. Temia pelo tênis azul a reluzir nos pés infantis. Descemos todos. Logo, estaríamos na porteira da nova morada de nossos avós. Andávamos com empolgação. O tênis novo ajudava. Alguma distância percorrida, o pé encharcado, e o tênis começava a dar sinais de fragilidade. Logo, o pesadelo. Tantas azaléias plantadas, tantos pés de trigo para arranjos de flores colhidos. Tudo em vão. A água incolor da chuva destruía o tênis azul. Maldição, pensei. Lembrei-me da puta que me sorrira na saída da loja. Papelão sob a palmilha. Calçava uma fraude. O imponente tênis azul misturava-se à água, à lama, aos restos do caminho num emaranhado de cor indefinível. Não me lembro se chorei.

Às vezes, junto com a chuva vem o arco-íris. Sempre que o vejo - quantas cores tem o arco-íris do daltônico? -, penso: "no fim do arco-íris há um baú com um tesouro e um tênis azul".

Daltonismo não tem cura.

NOTA: O nome da coluna Sujeito oculto é uma homenagem ao escritor Manoel Carlos Karam.

Rogério Pereira

11 agosto 2009

Fanta

Meu deus, meu deus. Hoje tive uma verdadeira desilusão, após anos e anos descobri algo que mudou toda minha vida. A Fanta de laranja não é da cor amarela. Comentaram que a cor da Fanta laranja é laranja. Minha vida muda totalmente, depois ainda falaram que a Fanta uva não é vermelha. Não sei o que fazer, como assim não é amarela? Vermelha?

16 junho 2009

04 junho 2009

Novo msn e o daltonismo II

Isso aqui ainda serve para alguma coisa, hoje o dono desse blog deixou um comentário num texto antigo em que eu reclamava das cores de status do novo msn. Vou deixar o comentário dele inteiro aqui, pois é tão simples e eu nem vasculhei os menus:
"Olá, tudo bem?
Eu tb tenho o mm problema que tu, e descobri a polvora.
Se fores no canto superior direito a "Alterar esquema da lista de contactos", depois tens de colocar um visto no "Mostrar informações de estado em etiquetas"
E já te safas bem.
Abraço"

Agora sei quando as pessoas estão ausentes ou ocupadas, então não se preocupem, pois só vou atrasar suas vidas quando estiverem disponíveis. E obrigado, caso o custo de envio não fique caro eu vou comprar alguma coisa no seu blog.