13 março 2010

Livros

Comecei a ficar ranzinza com os livros das bibliotecas, o motivo são as anotações nas páginas, frases sublinhadas por outros leitores e alguns rabiscos sem sentido. Tudo começou quando peguei um livro do Carlos Heitor Cony na Biblioteca Pública, já tinha lido outros dele, mas esse em especial tinha uma anotação feita com lápis logo na primeira página, estava escrito isso: "Esse livro é muito chato." Pensei até em tirar uma foto, depois fui olhar para ver se era um desses livros doados. Sobre os livros doados, é realmente necessário que o doador coloque um carimbo gigante na folha de rosto dizendo que o livro foi doado por ele?, não entendo. Voltando ao livro, quando li aquela frase rabiscada na primeira página pensei que não teria problemas, iria ler de qualquer forma (grande engano). Comecei a ler, as páginas iam passando e a frase de que o livro era chato ia martelando, quando cheguei perto da página 50 resolvi parar, desisti, com aquele tipo de crítica não era possível lidar. Estou acostumado a ler críticas negativas de livros ou filmes e ver do mesmo jeito, mas aquela frase rabiscada na primeira página do livro foi pesada, pois comecei a achar tudo chato, a história, o personagem e a lentidão da leitura, não estava rendendo. Já tinha lido outros livros do Cony, geralmente sobre casais em crise, todo aquele amontoado de palavras não ditas de uma relação; tinha gostado de todos, ainda acho que só não terminei a leitura desse pela frase na primeira página. E as anotações de "leitores profissionais"?, eles sublinham uma frase e escrevem do lado: "Sempre otimista, tira vantagem em tudo." "Como o autor é detalhista pra descrever." "Família, origens." Todas essas frases foram feitas a lápis no livro O Segredo de Joe Gould, do Joseph Mitchell. Não tem sentido, a pessoa lê o trecho e escreve ao lado sobre o que esse parágrafo diz, qual a utilidade disso?, não vejo relevância. O livro A Fugitiva, do Proust (da biblioteca pública do Paraná) chega a ser engraçado o que foi sublinhado, simplesmente toda vez que aparecia o nome Albertine, e esse nome aparecia várias vezes por página, principalmente no começo. Quem sublinhou ainda contou quantas vezes aparecia Albertine no livro, até hoje não sei o motivo disso. Quer fazer anotações? Compre um livro, não vá estragar a leitura de outras pessoas, pois sou do tipo que quando vira a página lê primeiro as anotações.

2 comentários:

Brisas disse...

nem fale, o povo adora grifar os livros a lápis, parece que por usar lápis diminui a "falta de respeito".

meandros disse...

Nunca tive o costume de anotar nada nos livros. Dificilmente um livro meu terá algo anotado. Talvez algum xerox da época da graduação, mas só.

E de uns tempos pra cá perdi o costume de emprestar livros da biblioteca. A situação financeira melhorou e comecei a comprá-los. Bom, agora a situação financeira piorou e estou de volta às bibliotecas.

Ainda não encontrei uma crítica feroz assim anotada de cara, mas deve ser difícil mesmo.