28 fevereiro 2010

Fim

Sempre fiquei atento as maneiras que as pessoas preferem morrer, a maioria prefere estar dormindo quando tudo acontecer. Talvez isso seja uma grande covardia. Nascemos apenas uma vez e morremos apenas uma vez, do nascimento não trazemos a menor lembrança. E a morte?, é um assunto complexo demais, temos inúmeras religiões e paraísos sem conta. Gostaria de estar acordado quando tudo acontecesse, deixar o mundo aos poucos, ter noção de que minha consciência já não caminha racionalmente. Nos últimos instantes prefiro estar acordado, não quero estar dormindo e perder tudo, deve ser horrível ir dormir para nunca mais acordar, tem lá seu lado poético, mas é como entrar num filme e perder o final; você escreveu todo roteiro, contracenou com todos, teve suas grandes falas, discutiu com o diretor, teve drama, comédia, romance e suspense. E aí você está dormindo no fim, como se estivesse entediado. Precisamos ficar acordados no fim, precisamos saber qual o sentido da história, temos de saber se é um filme que faz algum sentido ou se teremos de ver tudo novamente naqueles últimos segundos para ao menos deixar um sorriso sarcástico, daqueles para não deixar provas de que entendemos o significado, de que lemos as entrelinhas do roteiro.

2 comentários:

Lívia García disse...

Eu prefiro morrer com um tiro na cabeça, ou dormindo mesmo, só quero com o mínimo de sofrimento possível, quero ver beleza no que me resta de vida, no que restar de mim, nesse último momento. Bem interessante a reflexão do post.

Vanessa disse...

é, um tiro talvez seja o melhor, tanta gente reclama, mas sei lá...